A produção industrial brasileira apresentou em abril o quarto mês seguido de recuperação na comparação com o mês imediatamente anterior. O resultado de 1,1% acima do obtido em março foi puxado por Veículos Automotores, que subiram 3,3% entre o terceiro e quarto mês deste ano e acumularam um crescimento de 61,1% desde dezembro.
” Os indicadores confirmam uma recuperação gradual e contínua da indústria ” , afirmou Isabella Nunes, gerente de análises e estatísticas derivadas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). ” O quadro com a comparação com o mês imediatamente anterior está muito marcado por veículos e sua cadeia produtiva ” , acrescentou, lembrando que, em abril, a Metalurgia Básica subiu 5,1% e Borracha e Plástico cresceu 6,7%.
O bom resultado apresentado por Veículos Automotores contribuiu para o forte crescimento dos Bens de Consumo Duráveis na comparação março/abril. No período, a categoria avançou 2,7% e acumulou expansão de 57,8% em relação a dezembro, mês em que os dados da produção industrial sofreram os maiores efeitos da crise internacional. Entre outubro, quando começaram os impactos da crise, e dezembro de 2008, os Bens de Consumo Duráveis haviam recuado 48,7%.
” Os Bens de Consumo Duráveis puxaram a queda da produção no fim do ano passado e agora puxam a recuperação ” , ressaltou a técnica do IBGE.
Isabella lembrou que, em abril, houve também um bom comportamento de ônibus e caminhões e das autopeças, uma vez que até o momento a recuperação dentro de Veículos Automotores vinha sendo puxada pela produção de automóveis.
Entre as categorias de uso, os Bens de Capital foram os únicos que não apresentaram melhor no indicador de média móvel trimestral entre março e abril. No período, a média móvel desta categoria recuou 3,1%, enquanto os Bens de Consumo Duráveis subiram 5%; os Bens de Consumo Semi e Não Duráveis expandiram-se 0,9% e os Bens Intermediários avançaram 1%.
Do Valor Online, 01/06/2009

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A ESQUERDA E A CRISE
Luiz Carlos Bresser-Pereira(Folha de S. Paulo)
O DESASTRE econômico que estamos vivendo é consequência da hegemonia, nos últimos 30 anos, do neoliberalismo -uma ideologia de direita que desregulou os mercados financeiros. Entretanto, nas eleições para o Parlamento Europeu que se realizarão nesta semana, não se prevê que os partidos de esquerda avancem e logrem recuperar a maioria detida pela direita. Como explicar esse fato? Por que os eleitores europeus, que sempre se revelam mais conscientes politicamente -mais capazes de votar de acordo com princípios ideológicos e levando em consideração os resultados alcançados-, não estão dando agora uma guinada para a esquerda?
Meu diagnóstico é o de que a esquerda não está se beneficiando da crise porque nos momentos em que esteve no poder nestes últimos 30 anos ela fez tantas concessões ao fundamentalismo de mercado neoliberal que, afinal, sua política muitas vezes se aproximava daquelas propostas pela direita. No plano social, isso não aconteceu porque os partidos de esquerda se mantiveram fiéis à ideia de que cabe ao Estado aumentar a despesa social em educação, cuidados de saúde, previdência e assistência social e, dessa forma, diminuir a desigualdade.
Enquanto o neoliberalismo defendia um individualismo competitivo extremo baseado em princípios meritocráticos, a centro-esquerda rejeitava o pressuposto do caráter inerentemente egoísta do ser humano e, a partir do pressuposto alternativo de que o comportamento humano é fruto de uma dialética entre dois instintos fundamentais -o da sobrevivência e o da convivência-, afirmava a possibilidade e a necessidade da solidariedade ou das virtudes cívicas e defendia um papel ativo para o Estado na redução das desigualdades. Essa foi sua força.
Os bens de capital não cresceram em razão dos empresários recuarem a expandir seus negócios. Uma pena. Os bens de consumo tiveram seus índices crescentes, em razão da baixa de impostos por parte do governo federal , como aconteceu com os automóveis e material de construção.Estou muitopreocupada com o amanhã dos meus filhos e com a minha aposentadoria.