Pesquisa mostra relação entre idosos e porteiros, sempre solícitos

Fernanda Malta, Jornal do Brasil

RIO - O país de jovens está envelhecendo. Em duas décadas, a expectativa de vida dos idosos aumentou quase 11 anos no Brasil, segundo projeções do IBGE. Até 2050, as pessoas com mais de 60 anos devem representar 30% da população brasileira. Sinal de que um importante elo de amizade vai ter vida longa: a que une os idodos e os porteiros de edifício, que são seus confidentes e até anjos da guarda, como constatou a pesquisa Idosos de Copacabana, concluída recentemente pela Bradesco Seguros e Previdência.

O levantamento ouviu quatro grupos no bairro da Zona Sul carioca – dois de pessoas com idades entre 70 e 85 anos, que moram sozinhas ou com a família, um de porteiros e outro de síndicos de prédios.

Carregar uma sacola, chamar um táxi, segurar a porta do elevador são pequenos gestos comparados à forte amizade que estes fieis escudeiros são capazes de oferecer. O zelador Tomé Campos Machado, 50 anos, conquistou a simpatia de quem passou dos 70 no prédio 18 da Rua Santa Clara. Ele conheceu Dona Edith Conde, 95, aos poucos. Entre abrir e fechar portas e fazer pequenos consertos na casa dela, Tomé e Edith constuiram uma amizade que já atingiu a maioridade: há mais de 18 anos, ela conta com o braço amigo.

– Quando minha filha viajou, ele veio me acolher. Todo mundo aqui do prédio o considera da família, mais do que porteiro. É um exemplo de homem, sempre muito dedicado – emociona-se Edith.

A aposentada conta que até sua bisneta de dois anos, Eduarda, chama “Seu Tomé!” quando precisa de ajuda, para, por exemplo, abrir a tampa de uma garrafa.

O porteiro se orgulha.

– Gosto de me sentir útil. Basta interfonar que eu venho.

Salva vidas

De acordo com a pesquisa, o porteiro é alguém que está sempre presente, principalmente em momentos de tensão. Elma Guimarães, 74 anos, viveu essa situação quando ficou presa no elevador de seu prédio. A primeira reação foi gritar pelo porteiro Bruno Silva, antes mesmo de apertar o botão de emergência. Em poucos minutos, estava salva, no colo de Bruno.

– Ele estava tirando o lixo e parou tudo para me tirar do elevador. É muito cuidadoso, e eu reconheço – no Natal, entrego R$ 100 para cada um, de gratificação.

Bruno acha graça:

– Como muito mocotó para carregá-las.

Há dois meses, Elma deixou o prédio 75 da Rua Belfort Roxo, mas ainda visita o amigo.

– No meu prédio novo os porteiros também são gentis, mas fico com saudades dos daqui – diz a aposentada, que preferiu morar perto dos filhos.

Na praça do Bairro Peixoto, Isabel de Almeida, 82, aproveita o sol com sua acompanhante, mas não esquece de outra pessoa: Severino, o zelador.

– Antes que eu chegue em casa, ele já vai para a porta me esperar. É muito prestativo.

Barbara Rossi mora em Fortaleza, mas uma vez por ano vem visitar os filhos em Copacabana. Em seu condomínio cearense, moram 280 famílias. Lá, ela sente falta de um porteiro com quem possa conversar. Por isso, quando vem ao Rio, pega emprestado Antônio Augusto do Nascimento, um pernambucano que cuida dela quando os filhos saem de casa. Como isso acontece com frequência, o porteiro tem medo que a esposa, faxineira do prédio, sinta ciúmes.

– Trato os outros como gosto de ser tratado. Não saio de casa à noite com medo de que algum morador esteja sem a chave e fique preso fora de casa – conta.

Antônio já ouviu de moradores que eles só admitem se mudar do prédio se ele for junto. Até carta de recomendação do Corpo de Bombeiros de Copacabana ele já recebeu, por evitar um incêndio, no ano passado.

– Vi a fumaça saindo do quarto andar. Tomei um banho com a mangueira do prédio antes de entrar no apartamento para tentar salvar quem estava lá. Quando os bombeiros chegaram, o fogo já estava apagado. Só não sei fazer chover, o resto eu sei – brinca.

A pesquisa também revelou que os porteiros apreciam a relação cordial e amistosa com os moradores idosos. A vitalidade e a experiência de vida chamam a atenção dos funcionários. Antônio concorda:

– Vivo à disposição deles. Seja para quebrar um galho ou conversar. Eles me enriquecem.

Com base nesses dados, a Bradesco Seguros e Previdência lançou o Programa de Aperfeiçoamento Profissional de Porteiros de Condomínios. O projeto, em parceria com condomínios e síndicos, visa capacitar os profissionais das portarias para entender e servir melhor os moradores que chegam a essa etapa da vida.

Inversão de papéis na relação entre mãe e filho

Outro dado apurado na pesquisa foi a ligação entre filhos e pais idosos. Todos os dias, a movimentação na vida de Maria Nazaré Fernandes Doria, 88 anos, começa cedo: 9h é quando vai para a praça do Bairro Peixoto passear com um dos três filhos. Só sai de lá ao meio dia, quando “o sol fica muito forte”.

Na tarde de quinta-feira, Maria Nazaré saiu com o caçula, Hugo Fernandes Doria, depois de um almoço e compras no shopping.

– Gosto de me ocupar, botar os pés no chão, sair do estresse – diz Maria Nazaré.

Hugo Doria já sente, aos 58 anos, a inversão de papéis na relação de dependência com a mãe.

– Meus irmãos não querem que ela lave louça, mas, se ela faz por prazer e não por obrigação, temos que deixar. Ela nos criou e agora temos que criá-la. É uma relação diferente, mas aprendemos todos os dias – afirma.

Assim como a aposentada, muitas mulheres da terceira idade aproveitam o maior tempo livre para buscar novas atividades que tragam satisfação pessoal, como observa um outro estudo, encomendado pelo Bradesco Seguros e Previdência, e realizada pelo Ibope Inteligência, em julho deste ano.

Para muitos idosos, viver é ter autonomia, já que, com doenças degenerativas, a tendência é que o número de pessoas que precisam de cuidadores cresça.

O estudo constatou que mulheres têm mais facilidade para desfrutar dessa fase da vida do que os homens. Enquanto eles desenvolvem menos atividades, pois carregam uma certa sensação de inutilidade, elas tendem a se sentir livres, com a sensação de dever cumpridos. Para surpresa de muita gente, as mulheres aceitam melhor o peso da idade.

– Sinto que tenho mais energia do que meus vizinhos idosos. Eles quase não saem de casa. Reclamam de solidão e da saúde, mas não fazem nada para mudar a situação.
Fernanda Malta, Jornal do Brasil
Postado por Jana Lua

Homens trabalham, mulheres trabalham! Ambos são capazes !

Interessantíssimo o artigo abaixo onde podemos constatar a presença da mulher, onde indiscutivelmente, têm-se tornado imprescindível a participar incansavelmente dos assuntos em geral.

Fica minha pergunta a vocês que veem o meu blog: podemos ter uma presidenta do Brasil ?
(Aguardo resposta )

A minha resposta já tenho : acredito ! Por isso criei o blogdilma2010 onde neste poderia ressaltar à todos que se interessam em participar da política um espaço aberto que venha a creditar na pré-candidata um somado que dará 13.
(Márcia Vieira)

UE escolhe belga e britânica para seus principais cargos

Bruxelas, 19 nov (EFE).- Os líderes da União Europeia (UE) escolheram hoje a britânica Catherine Ashton e o belga Herman Van Rompuy para ocupar os dois principais cargos do bloco.

Ashton será a nova Alta Representante da UE para política externa e segurança, enquanto Van Rompuy foi escolhido como o primeiro presidente estável da organização, informaram à Agência Efe fontes comunitárias.

Os chefes de Estado e Governo comunitários aprovaram rapidamente a proposta da Presidência sueca de turno, formulada pelo primeiro-ministro sueco, Fredrik Reinfeldt, segundo informaram à Agência Efe fontes comunitárias.

Rompuy, um democrata-cristão de 62 anos, dirige o Governo belga há 11 meses, enquanto a trabalhista Ashton, de 53 anos, ocupa desde outubro o ministério de Comércio na Comissão Europeia.

O consenso entre os líderes da UE começou a ser construído em um acordo prévio dos dirigentes socialistas comunitários que resolveram propor e respaldar um único candidato para dirigir a política externa comunitária, escolha que recaiu em Ashton.

A decisão obrigou ao Governo britânico desistir de apoiar o nome de Tony Blair à presidência do Conselho Europeu.

Rompuy, um homem praticamente desconhecido poucos dias atrás fora da Bélgica e sem experiência internacional, viu sua reputação crescer em seu país desde que assumiu o cargo no Governo, em dezembro passado.

Após herdar a chefia do Governo de um país em agitação por causa das disputas entre flamengos e francófonos, e com uma classe política desgastada e desacreditada. Rompuy conseguiu que a Bélgica retornasse à normalidade.

Conhecido pela sua falta de ambição, o hábil político é também um exímio negociador, a quem se atribuiu a responsabilidade pelo orçamento, fazendo com que a Bélgica conseguisse reduzir sua enorme dívida pública para poder adotar o euro.

O cargo que exercerá Rompuy foi criado pelo Tratado de Lisboa, que entrará em vigor em 1º de dezembro, mas por enquanto suas responsabilidades não estão bem definidas.

O presidente estável - eleito por dois anos e meio, mandato renovável por mais uma gestão - tem a incumbência de dirigir e encorajar as reuniões dos líderes, garantir sua preparação e continuidade, facilitar o consenso (missão nada fácil) e representar à União diante de líderes mundiais, define o Tratado.

Catherine Margaret Ashton, muito próxima ao primeiro-ministro Gordon Brown, é a atual comissária europeia de Comércio da Comissão Europeia (CE), baronesa de Ashton de Upholland, membro do Partido Trabalhista e ex-presidente da Câmara dos Lordes.

Ashton ocupou vários cargos intermédios no Governo de Brown nos ministérios de Educação, Direitos Humanos, Justiça e Igualdade, mas quase não tem experiência em questões de política internacional.

Chegou a Bruxelas no final do ano passado, depois de Brown a enviar para substituir Peter Mandelson, um peso pesado da política britânica chamado pelo primeiro-ministro a Londres para ser seu “número dois” e tomar frente de suas perspectivas eleitorais para o próximo ano.

A Alta Representante substituirá Javier Solana, mas terá poderes ampliados, já que será também vice-presidente da Comissão - assistirá às reuniões dos comissários - e presidirá mensalmente o Conselho de Relações Exteriores - as reuniões dos ministros.

Será responsável pela coordenação de toda a política externa da UE, do orçamento e do novo serviço diplomático comum europeu criado pelo Tratado de Lisboa. EFE

Negros , que negros?

Maressa Vieira, Engenheira e Professora
A história brasileira ressalta a chegada dos africanos ao Brasil para trabalhar como escravos a partir da metade do século XVI. Ao longo dos anos houve muita discriminação, não aceitação da liberdade igualitária, ou seja, os negros não conseguiram fazer parte do mercado de trabalho mais elevado, com raras exceções e hoje ainda se evidencia uma diferença, embora haja avanços.

Ainda relacionado à história, os negros sempre lutaram pela liberdade e muitos fugiram, formando os chamados quilombos, destacando-se o de Palmares, em Alagoas, local onde nasceu Zumbi em 1665, último e principal líder do Quilombo, símbolo da resistência negra à escravidão.

Em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei 10.639 e incluiu o dia 20 de novembro, data em que Zumbi morreu, em novembro de 1695, aos 40 anos, após ataque por soldados do governo como o Dia da Consciência Negra no calendário escolar.

A data, que registra os 314 anos da morte de Zumbi, será marcada por celebrações, exposições, debates, apresentações artísticas da cultura afrobrasileira. Dentre as discussões enfocam-se o combate à violência movida por discriminação racial e étnica, xenofobia e outras formas de intolerância, enfatizando ainda a inserção do negro na sociedade brasileira.

Salvador contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, em ato público, assinará decretos para a titulação de quilombolas de 13 estados e lançará o Selo Quilombola, marca atribuída aos produtos artesanais criados por essas comunidades com o objetivo de agregar identidade cultural e valor econômico a essa produção.

Há uma cobrança para que os órgãos responsáveis atuem zelando pelo cumprimento da lei.

Por conta da política de distribuição de renda do governo percebe-se uma redução da desigualdade entre negros e brancos no mercado de trabalho, cuja renda está aumentando o que denota melhora na situação das camadas mais pobres, que concentra uma maioria da população negra.

A redução das desigualdades entre negros e brancos é atribuído ao crescimento da economia. A adoção do regime de cotas é um avanço no combate à discriminação, mas há muitos desafios a enfrentar para que as diferenças sejam vencidas, como aumentar a representação da população negra nos cargos públicos, como direção e gerência, na política. Num país em que aproximadamente metade da população brasileira é negra, este registro é, no mínimo, se questionar. Mas, observo que somos filhos de uma mesma Nação, portanto, devemos lutar para usufruir e fazer valer nossos direitos constitucionais, independentemente da cor.
20.11.2009

Por um quilombo do terceiro milênio

RIO - O Dia da Consciência Negra é comemorado em 20 de novembro, data em que o bandeirante Domingos Jorge Velho teria assassinado Zumbi dos Palmares, no ano de 1695. Na ocasião, o herói da luta negra contra a escravidão contava cerca de 40 anos de idade.

Se vivesse hoje, o quarentão de pele escura seria um homem sem curso superior, com renda mensal inferior a mil reais. Se fosse casado, sua mulher estaria desempregada, ou trabalharia sem carteira assinada e ganharia mais ou menos 700 reais por mês. Os filhos teriam largado a escola antes de concluírem o ensino fundamental. Se algum deles ingressasse na universidade, seria o primeiro diplomado da família.

Imaginar um presente tão pouco glorioso para uma das figuras mais importantes da história brasileira não é delírio, mas uma dedução razoável quando se toma como base a Relação Anual de Informação Social (Rais) do Ministério do Trabalho, que teve sua última edição divulgada em meados deste ano.

O Rais mostra que o Brasil ainda é um país em que as oportunidades de trabalho e de melhoria de renda estão nas mãos dos homens brancos. Eles ocupam 11,9 milhões de postos de trabalho formais, contra 7,6 milhões de empregos ocupados por mulheres brancas e apenas 498.521 por mulheres negras. O salário médio dos brancos é de R$ 1.671,00; das mulheres brancas, R$ 1.407,00, e das negras, em torno de R$ 790.

Esses dados revelam uma realidade incômoda: embora o Brasil não seja um país racista na estrita acepção do termo, ainda persiste uma discriminação subjacente, disfarçada.

De acordo com o mapa das ações afirmativas no ensino superior, elaborado pelo Laboratório de Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), 32% das instituições públicas de ensino existentes no país (ou seja, 72 delas) promovem algum tipo de ação afirmativa. Destas, 53 adotam cotas étnico-raciais, sendo que 34 instituições possuem medidas afirmativas específicas para negros. O critério mais utilizado para identificar quem tem direito às cotas é a autodeclaração.

A falta de critérios mais bem delineados para a inclusão deste ou daquele indivíduo nos benefícios das ações afirmativas suscita distorções, como o episódio em que dois gêmeos idênticos se candidataram à Universidade de Brasília pelo sistema de cotas e apenas um deles foi considerado negro. Esses casos isolados põem fogo nos debates, mas tiram do foco o que é mais importante: primeiro, saber se as cotas funcionam; segundo, descobrir se elas são, de fato, a melhor opção para o Brasil, ou se fizeram sentido em um momento específico de um país que nada tem a ver com o nosso – no caso, os Estados Unidos pós-anos 60.

As disparidades brasileiras devem ser analisadas a partir da perspectiva de um racismo estrutural, calcado em analfabetismo. No começo desta década, havia 47% de negros, com 60 anos ou mais de idade, analfabetos, e 25% dos brancos na mesma situação. E, enquanto os brasileiros brancos permanecem na escola por 7,7 anos (o que é pouco!), os negros estudam, em média, 5,8 anos.

Quem atua junto a grandes organizações, como é o meu caso, percebe na prática que o mundo corporativo ainda não tem uma presença significativa de mulheres, nem de negros, e menos ainda de mulheres negras jovens. E nas faculdades de contabilidade, que são celeiros de futuros auditores e consultores, esse perfil étnico não se faz presente de maneira significativa. O que afasta essas pessoas de uma profissão que é, a um só tempo, interessante, rentável e ascendente?

Como se vê, as perguntas são muitas, e as respostas, poucas e insatisfatórias. Corrigir distorções históricas é fundamental para a construção de um país mais justo. Não se deve, contudo, incorrer no erro de reduzir a questão da exclusão social ao aspecto étnico-racial. Num país como o nosso, onde uma pessoa de sobrenome italiano pode ter a pele escura e traços inequivocamente africanos, as políticas públicas voltadas para a promoção da equidade precisam ser cuidadosamente planejadas.

No meu entendimento, o foco primordial deve ser a busca por uma educação cada vez mais excelente. O ensino gratuito, universal e de boa qualidade é o primeiro passo para tirar as crianças e os jovens da perigosa zona de exclusão. Mais do que um Dia da Consciência Negra, este 20 de novembro deve ser um Dia da Consciência Brasileira, no qual todos nós, louros, pretos, ruivos, de olhos azuis ou olhos puxados, de cabelos lisos ou encaracolados, estaremos unidos em torno de um só projeto: a construção de um país melhor.

Antoninho Marmo Trevisan, além de empresário, é educador e consultor, presidente da Trevisan Gestão, Consultoria e Educação e do Conselho Consultivo da BDO e, ainda, membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).
Antoninho Marmo Trevisan, Jornal do Brasil
Postado por Jana Lua

Os Brics no cenário internacional

RIO - Os Brics, acrônimo criado pelo economista do Goldman Sachs, Jim O´Neill, para designar o grupo de países composto por Brasil, Rússia, Índia e China, são considerados os expoentes dos países em desenvolvimento. A razão disso está no porte dessas quatro nações.

Com população em torno de 2,8 bilhões de habitantes (45% da população mundial), PIB por volta de US$ 8 trilhões (13% do PIB mundial) e uma área de 38 milhões de km² (25% da área do planeta), os Brics já têm peso significativo no quadro econômico mundial. No entanto, conforme projeção de O’Neill, é o ritmo de crescimento econômico desses países que deve ser levado em conta. Tal projeção indica que, em 2050, eles, em bloco, terão PIB superior ao dos Estados Unidos, da União Européia e, inclusive, do G6 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália).

Muitos, porém, não acreditam que estes países venham a formar um bloco econômico coeso. As diferenças entre eles são imensas. A China ainda vive sob sistema político ditatorial e a Rússia, embora permita a disputa eleitoral, está longe de ser considerada uma democracia.

A Índia, embora democrática, tem grandes problemas de disputa territorial com vizinhos e contínua tensão entre os grupos étnicos que formam sua população. Dos quatro países, podemos dizer que o Brasil é o mais avançado institucionalmente. Temos um sistema democrático moderno e consolidado, e não enfrentamos problemas com vizinhos e temos grande harmonia linguística, cultural e étnica.

No entanto, os quatro países não conseguiram firmar nenhum documento importante, a não ser a própria vontade de realizar reuniões periódicas. A disposição do governo brasileiro de substituir o dólar, moeda utilizada nas transações comerciais entre os membros do Bric, pelas moedas locais, ainda não encontrou ressonância. Os altos valores das reservas em dólares dos países (cerca de US$ 2,8 trilhões) e a forte dependência das exportações para o mercado americano tornam difícil usar outra moeda no sistema de trocas e de reserva de valor.

Embora haja poucas chances de viabilizar o Bric como bloco econômico no jogo dos interesses mundiais, a simples existência desta possibilidade coloca os quatro países membros como importantes atores no cenário internacional.

É certo que a governança mundial sofrerá importantes mudanças após o término da atual crise financeira internacional. Além da inclusão dos principais países emergentes, a pauta das decisões deve contemplar as questões do aquecimento global e do redesenho dos principais organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas, a Organização Mundial do Comércio e o FMI.

O fato é que, com ou sem consolidação do Bric, o Brasil passa a ter maior importância nas decisões mundiais e tem condições de assumir um papel muito mais ativo no cenário mundial. Mas isso dependerá da sua disponibilidade de investimento nos próximos anos, além da viabilização de inovações focadas em ciência e tecnologia.

Alcides Domingues Leite Junior é professor de economia da Trevisan Escola de Negócios
Jornal do Brasil
Postado poe Jana Lua

Lobão faz contrato para concessão de 19 linhas de transmissão

SÃO PAULO, 19 de novembro de 2009 - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hübner, assinaram hoje os contratos de concessão de 19 linhas de transmissão e nove subestações de energia que foram leiloadas em maio deste ano.
Os novos empreendimentos vão beneficiar os estados do Acre, da Bahia, de Alagoas, de Goiás, de Mato Grosso, de Minas Gerais, da Paraíba, do Paraná, de Pernambuco, do Rio Grande do Norte, do Rio Grande do Sul, de Rondônia e de São Paulo.

Com o início da construção das novas linhas e subestações, elas devem entrar em funcionamento em no mínimo 18 meses e no máximo em dois anos.

Os 12 lotes leiloados em maio foram arrematados por seis consórcios e seis empresas isoladas. Ao todo, as linhas somam 2,4 mil quilômetros de extensão e devem reforçar o Sistema Interligado Nacional.

O ministro Edison Lobão aproveitou a oportunidade para ressaltar que, de 2003 para cá, foram criados mais de 22 mil quilômetros de linhas de transmissão de energia. Hübner destacou que o sistema integrado brasileiro é “robusto”. “O problema do Brasil não é falta de investimento”, disse ele. As informações são da Agência Brasil.
(Redação - Agência IN)
Postado por Jana Lua

Lula diz que Brasil virou “coqueluche internacional”

NATAL - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira que o Brasil virou uma “coqueluche internacional” e que tem merecido cada vez mais espaço na imprensa estrangeira.

- Há um interesse na imprensa exterior que nunca aconteceu antes com o Brasil. Mostramos que o Brasil é um país que está preparado - disse o persidente em entrevista à Rádio Clube de Natal.

Lula repetiu que o Brasil superou rápido a crise econômica mundial e que a frase dita pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmando que “Lula é o cara”, foi importante para que as pessoas passassem a acreditar mais no Brasil.

No Rio Grande do Norte, o presidente assina termo de compromisso para ampliação da Refinaria Potiguar Clara Camarão, na cidade de Guamaré.
Yara Aquino, Agência Brasil
Postado por Jana Lua

Economia: Brasil tem destaque na AL

RIO - O Brasil é o país com o melhor Índice de Clima Econômico (ICE), na comparação entre 11 países da América Latina. Em outubro, o ICE do país atingiu 7,4 pontos, numa escala que vai de 1 a 9. Em julho, o índice registrado estava em 5,5 pontos. A informação consta da Sondagem Econômica da América Latina, uma pesquisa realizada a partir de parceria entre o Institute for Economic Research at the University of Munich (IFO) e a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Divulgada ontem, a sondagem reflete a opinião de especialistas sobre a situação atual e as expectativas econômicas de seus países. É a terceira vez consecutiva que o Brasil registra alta dessa taxa. A menor pontuação foi em janeiro deste ano (3,9 pontos), influenciada pela crise financeira.

O objetivo da Sondagem Econômica da América Latina é monitorar e antecipar tendências econômicas, a partir de informações prestadas trimestralmente por especialistas nas economias de seus respectivos países. Em outubro foram consultados 142 especialistas em 16 países.

Entraves

De acordo com a FGV, a falta de confiança nas políticas do governo, a demanda insuficiente, o desemprego e a inflação foram os principais problemas apontados pela maioria dos especialistas ouvidos na pesquisa.

– No Brasil, não há grande desemprego, não há déficit forte em transação corrente e o que se apresenta são gargalos para o futuro. Em termos macroeconômicos, o Brasil está estável – disse a economista da FGV, Lia Valls – Havia muita discussão sobre contaminação da crise sobre a nossa economia. O tema já passou e vimos que a contaminação foi quase nula.

Os analistas consultados pela pesquisa apontaram competitividade e déficit público como entraves para um ambiente econômico mais favorável no futuro.

– A falta de competitividade engloba carga tributária, baixa participação nas exportações mundiais e problemas de infraestrutura. O déficit público tem a ver com a questão fiscal do Brasil – disse a economista da FGV..

Dos dois indicadores que compõem o ICE, o Índice da Situação Atual (ISA) do Brasil é de 6,4 pontos e o Índice de Expectativas (IE), de 8,4 pontos. O Peru está em segundo lugar, com 7 pontos, e o Uruguai em terceiro, com 6,3. De acordo com a pesquisa, esses países passaram para a fase de alta acentuada na sondagem de outubro, em relação à de julho.

Nos últimos lugares, estão Equador (3 pontos), México (4,1) e a Argentina (4,5), na sondagem de outubro, na lista de 11 países.
Com agências
JB Online
Postado por Jana Lua

Vitória da cardiologia brasileira

RIO - A grande preocupação dos cardiologistas brasileiros é, há tempos, o impressionante número de mortes por doenças cardiovasculares, 300 mil por ano, o que torna o coração o principal responsável pelos óbitos no País. A preocupação cresceu com o aumento dos fatores de risco, a população mais obesa, o crescimento do número de hipertensos, a melhor condição econômica que aumenta o consumo de alimentos - e nem sempre dos mais saudáveis -, com a urbanização crescente, que se reflete no estresse, os infartos precoces, que vitimam também os jovens e pela poluição ambiental, que agride sem apresentar sintomas.

Os números do Ministério da Saúde comprovam pela primeira vez, que a longa e árdua luta desenvolvida pelos mais de 12 mil médicos filiados à Sociedade Brasileira de Cardiologia e pelas autoridades governamentais, começa a apresentar resultados e marcantes.

O índice de redução de óbitos indica que por ano 61.500 mortes são evitadas. São outros tantos trabalhadores, mulheres também, agora arrimo de família, que deixam de morrer devido às campanhas que a SBC tem realizado, com grande apoio da imprensa.

Chega a ser cansativo o número de vezes que reunimos médicos nas Capitais e grandes cidades do País para medir a pressão e contar como a “doença silenciosa”, a hipertensão, representa um risco de morte; de como invadimos “Shopping” para medir o colesterol e distribuir folhetos e até mesmo, fita métrica na mão, fizemos com que médicos e enfermeiros medissem a cintura abdominal das pessoas, alertando que mais de 92 centímetros já se torna fator de risco para enfarte.

A SBC faz campanhas há muitos anos e mais ainda. Com apoio dos produtores de frutas chegamos a “confiscar” maços de cigarro nas ruas e trocá-los por maçãs, no “Dia Nacional contra o Tabaco” e, recentemente, promovemos um forum com a indústria automobilística, a Universidade, as Prefeituras e o Ministério, para alertar que a defesa do Meio Ambiente vai além da preservação das florestas e que, em cada dia de poluição numa cidade como São Paulo, crescem as ocorrências cardíacas.

A Cardiologia brasileira, uma das mais desenvolvidas, se sentia frustrada ao perceber que, enquanto no Primeiro Mundo caía a mortalidade cardíaca, o esforço brasileiro não levava ao mesmo resultado. Foi por isso que a SBC se aliou ao Ministério da Saúde, passou a discutir em Brasília as linhas mestras de uma política nacional de Saúde.

Foi esse trabalho, de pesquisa, inclusive, que mostrou a existência de 50% dos brasileiros hipertensos, que nem sequer sabiam que eram doentes e foi a SBC quem instou para que os hipertensivos fossem disponibilizados em todos os postos de saúde, onde os médicos foram orientados sobre a importância de medir a pressão arterial de todo paciente que se apresenta.

Ainda agora, Ministério e sociedade médica trabalham juntos para controlar a Doença de Chagas, para bloquear a transmissão da moléstia, identificar os chagásicos existentes e garantir o diagnóstico precoce, que pode significar a sobrevida de até 20 anos para os já infectados. Também Bolívia, Argentina, Colômbia e até a Espanha, que através dos imigrantes hispano-americanos importou a doença, passaram a se beneficiar da experiência e da pesquisa brasileiras.

Também com o Ministério e as sociedades de Pediatria e Reumatologia, foram criadas diretrizes para diagnostico e tratamento da doença reumática, doença da pobreza, que vitima os pacientes por toda uma vida e que, às vezes, necessitam de até três cirurgias cardíacas. Projeto conjunto é também o da Saúde do Homem, que une Ministério, sociedade de Cardiologia, Urologia e Psiquiatria, na prevenção de doenças como câncer de próstata, disfunção cognitiva e acidentes cérebro-vasculares. Nem tudo foi feito, porém, para o futuro, queremos projeto semelhante para a Saúde da Mulher, que cada vez mais apresenta risco cardiovascular.

A notícia da primeira redução nacional da mortalidade cardíaca confirma que tudo é possível quando se alia vontade política da autoridade governamental, apoio da imprensa, que sempre divulgou nossas campanhas e o empenho de toda uma categoria profissional voltada para a preservação da Saúde e da vida, uma categoria que, com muito orgulho, tenho a honra de ter liderado nos dois últimos anos, como presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Antonio Carlos Palandri Chagas é presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Antonio Carlos Palandri Chagas , JB Online
Postado por Jana Lua

Indústrias se comprometem a fazer inventário de emissões de poluentes

SÃO PAULO - A menos de um mês para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em dezembro, em Copenhague (Dinamarca), o aquecimento global e a redução de emissões de gases poluentes na atmosfera entraram na pauta das indústrias químicas. Nesta quinta-feira, a Associação Brasíleira da Indústria Química (Abiquim) divulgou documento que pretende enviar ao governo federal para ser levado à reunião em Copenhague, no qual se compromete a disponibilizar para a sociedade um inventário das emissões de gases estufa das indústrias químicas associadas.

De acordo com o presidente da associação, Nelson Reis, o evento da ONU não é o único objetivo do documento: “Queremos mostrar a nossa posição para a sociedade.”

Segundo Reis, não há ranking para medir que tipo de indústria polui mais.

- A indústria, em geral, é responsável por 8% das emissões. Estimamos que a indústria química emita aproximadamente 2% deste total, mas é impossível precisar quem polui mais ou quem polui menos pois os estudos sobre o tema são inexistentes - afirmou.

No documento, a Abiquim - que agrega 85% das indústrias químicas do país - alerta para a importância do desenvolvimento de novas tecnologias cujo objetivo seja reduzir e até reverter o crescimento das emissões de gases de efeito estufa. ]

- Acreditamos que esta não deva ser uma obrigação brasileira e, sim, de todos os países, que exista a cooperação global - explicou o gerente de assuntos técnicos regulatórios da Abiquim, Marcelo Kos.

- O Banco Mundial poderia fomentar estas novas tecnologias, criando uma linha de crédito especial para todos aqueles que queiram desenvolvê-las - ressaltou.

Ainda segundo o texto, as empresas associadas conseguiram reduzir as emissões de poluentes em 32% entre os anos de 2003 a 2008.

- É difícil propormos uma meta pois já reduzimos muito. Mas se conseguirmos que as emissões diminuam em 5% nos próximos dez anos já é muito bom - informou Kos.

A iniciativa é mais uma demonstração da postura de liderança que o Brasil vem adotando na batalha pelo clima. Com uma ambiciosa meta de reduzir a emissão de CO2 em até 38,9% até 2020, o Brasil é um dos países na briga por um acordo durante a conferência de Copenhague, que ocorre no dia 7 de dezembro. No entanto, ao mesmo tempo em que o país fala sobre uma solução imedianta, os países desenvolvidos - especificamente os Estados Unidos e a China - falam no adiamento do pacto climático.

O ministro do meio ambiente, Carlos Minc, já realizou críticas contundentes à posição dos dois países, chamando a atitude de não ratificar um acordo de “insensatez planetária”, e declarando que representou “uma ducha de água quente, que aumentou mais ainda a já elevada temperatura do planeta.”
Ivy Farias, Agência Brasil
Postado por Jana Lua