Governadores reivindicam e governo recua no pré-sal

BRASÍLIA - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou na madrugada de hoje que o governo cedeu aos governadores e não alterará o regime de participação especial no projeto que cria o marco regulatório da exploração do petróleo na camada pré-sal. A participação especial é uma das formas de compensar os estados produtores com recursos da exploração. Foi retirada também a urgência constitucional e o projeto não terá mais prazo para ser votado no Congresso.

O recuo do governo ocorreu durante reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os governadores Sérgio Cabral (PMDB-RJ), José Serra (PSDB-SP) e Paulo Hartung (PMDB-ES), que representam os estados com maior produção de petróleo.

Serão condensados em apenas um projeto as alterações a serem feitas neste momento no marco regulatório do pré-sal. A questão da participação especial, que permite à União, estados e municípios cobrar 40% do valor da produção do campo petrolífero, ficará como está até que se chegue a um acordo sobre o tema. O projeto trará apenas “ligeiras alterações” em relação aos royalties.

“No que diz respeito à participação dos estados produtores de petróleo ficou decidido que nós introduziremos um dispositivo na lei até que o governo federal envie uma nova mensagem. Por enquanto continuará vigindo a lei atual”, disse Lobão.

Lobão revelou o nome da nova estatal que vai coordenar a exploração do pré-sal: Petrosal. Com as concessões, o ministro afirmou que os três governadores estarão presentes no evento de hoje.

Estudo especial

As reservas do pré-sal se estendem ao longo de 800 quilômetros na costa brasileira, do Espírito Santo a Santa Catarina, abaixo de uma espessa camada de sal, a mais de 5 mil metros de profundidade.

Sérgio Cabral encomendou a seu secretário de Desenvolvimento, Júlio Bueno, estudo técnico para tentar provar no encontro que a elevação das taxas de participação especial e de royalties seria suficiente para ampliar a fatia do governo federal no produto das novas reservas, ainda não dimensionadas.

Atualmente, pela Constituição, os estados e municípios próximos aos campos são beneficiados por serem afetados pela exploração do petróleo, que demanda mais investimentos em infraestrutura e traz danos ambientais.

Mas a intenção do governo de criar um fundo para acumular parte da receita a ser originada pela exploração do pré-sal, segundo os governadores, resultaria em perda de arrecadação para os estados e municípios confrontantes com as áreas de exploração.

É justamente este aspecto da legislação atual que o governo deseja alterar. No cerne da decisão está o reconhecimento tácito de que, atualmente, os recursos originários dos royalties não tiveram utilização racional em muitos municípios, tendo sido usados para obras suntuárias ou realização de festividades públicas tão inúteis quanto caras.

Ontem à tarde, a oposição, por intermédio dos presidentes do PSDB, senador Sérgio Guerra, do DEM, deputado Rodrigo Maia, e do PPS, Roberto Freire, divulgou nota condenando a celeridade com que o governo está conduzindo a questão: a intenção do Executivo é enviar ao Congresso, de imediato, os projetos de lei que consolidarão as mudanças, com pedido de tramitação em regime de urgência.

“Trata-se de uma questão de Estado, que pode definir o futuro do país, e é assunto que deve ser tratado com transparência, e com participação de toda a sociedade. Sem rolo compressor”, diz um trecho da nota, que também manifesta temores sobre uso eleitoral da questão pelo governo federal.
Jornal do Brasil
Postado por Jana Lua

Setembro inicia contagem regressiva

Mudanças partidárias, filiações, aprovação das regras eleitorais: tudo isso tem prazo para poder valer nas eleições de 2010, 3 de outubro, a um ano do pleito. Com um olhar sobre o cenário presidencial de hoje, O POVO mostra como setembro promete definições

Se o roteiro político das eleições presidenciais de 2010 parecia estar bem definido, uma sucessão de fatos novos, ocorridos nos últimos 30 dias, bagunçou todo o esquema montado por alguns partidos. A saída da senadora Marina Silva do PT para o PV, o desgaste da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT) e até a absolvição, no Supremo Tribunal Federal, do ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci (PT) apimentaram a disputa e abriram novas possibilidades para o ano que vem.

Daqui para frente, a tendência é que o jogo fique ainda mais embaralhado. Agora, é só uma questão de tempo até que a senadora Marina, o deputado federal Ciro Gomes (PSB) e a vereadora Heloísa Helena (Psol-AL) decidam se encaram ou não a briga pela Presidência da República – a primeira sem a participação direta de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nos últimos 20 anos.

Em jogo, está a nova hegemonia política nacional. Há oito anos no poder, o PT começa a ter sinais de que não será tão fácil transferir os votos de Lula para a pré-candidata oficial da sigla, Dilma Rousseff - que aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, bem abaixo do governador de São Paulo, José Serra (PSDB).

Na contramão, o PSDB vem com tudo para retomar o poder perdido em 2002, embora ainda não tenha conseguido escolher qual será seu candidato na disputa - se Serra, conforme deseja a cúpula do partido, ou o governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

Setembro decisivo
A esta altura do campeonato, decisões como a do PSDB até podem ser adiadas. Entretanto, várias outras lacunas existentes no atual cenário político estão prestes a perder o prazo de validade. O mês de setembro será decisivo para a definição de boa parte do quadro eleitoral de 2010. Isso porque mudanças de domicílio eleitoral dos concorrentes, por exemplo, só podem ser feitas até um ano antes da votação (que será dia 3 de outubro de 2010) - decisão que afeta políticos como Ciro Gomes, cogitado para disputar o Governo de São Paulo, bem longe de seu Estado de origem, o Ceará.

Quem quiser mudar de partido - como fez Marina Silva - ou se filiar em algum para disputar um cargo eletivo, também precisa se apressar, pois o prazo acaba igualmente no começo de outubro. No caso dos que já possuem cargo no Legislativo, é necessário encarar o risco de perder o mandato, sob pena de ser acusado de “infidelidade partidária” - ainda há uma tentativa para que se crie uma “janela da infidelidade”, período em que seriam permitidas as trocas sem penalidades, mas sem nada definido.

A data-limite é ainda mais apertada para a aprovação de novas regras para a próxima eleição. Qualquer mudança nas normas do jogo deve ser aprovada no Congresso Nacional até o fim de setembro. Numa corrida contra o tempo, a chamada reforma eleitoral volta às discussões no Senado na próxima terça-feira, e se os senadores fizerem qualquer mudança no texto, tem de retornar à Câmara, para nova votação.

Na edição de hoje, O POVO traz uma ampla discussão sobre o atual cenário da disputa presidencial, numa contagem regressiva deflagrada a partir desse mês de setembro para uma série de mudanças e definições.

SETEMBRO DECISIVO

>O prazo para aprovação do projeto de Reforma Eleitoral, com as novas regras para o pleito de 2010, precisa ser aprovado até 30 de setembro, para sanção do presidente até 3 de outubro.

>Quem deseja mudar de partido para concorrer a cargo eletivo também deve correr para oficializar o pedido - o prazo final é 3 de outubro.

>O mesmo prazo serve para interessados em mudar de domicílio eleitoral.
Hébely Rebouças
hebely@opovo.com.br
Postado por Jana Lua

VOTO EM TRÂNSITO, Eleitor recorre ao Supremo para poder votar fora de sua cidade

Um eleitor de Rondônia decidiu recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para garantir o direito de votar mesmo que esteja fora de seu domicílio eleitoral —o que hoje não é permitido. O advogado Milton Córdova Júnior pretende, por meio de um mandado de injunção, que o Supremo determine a instituição do voto em trânsito já nas próximas eleições.

Leia mais:
Senado vota reforma eleitoral na próxima terça

Na ação, o eleitor questiona a suposta omissão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em regulamentar o mecanismo, já que o voto é um direito previsto pela Constituição Federal (artigo 14). Ele aponta que a inexistência do voto em trânsito vem impedindo uma expressiva parcela do eleitorado brasileiro de exercer esse direito.

A Reforma Eleitoral que está em análise no Congresso previa originalmente o sufrágio fora do domicílio, que chegou a ser aprovado pela Câmara. Mas o Senado deve derrubar o mecânismo na votação do projeto, que ocorre na próxima terça (1º/9).

Segundo Córdova, cerca de oito milhões de eleitores (10% do eleitorado), deixaram de votar nas eleições de 2006, o que para ele é um sério atentado à Democracia. “O silêncio do TSE em relação ao voto dos eleitores em trânsito resulta em expressiva exclusão eleitoral, pois elimina sumariamente das eleições importante parcela do eleitorado brasileiro”, diz.

Como alternativa para permitir o voto em trânsito, o autor da ação lembra que não existe previsão legal de que o voto seja exclusivamente eletrônico. Em vista disso, a Justiça eleitoral pode recolher os votos dos eleitores por meio de cédulas oficiais, o que afastaria a argumentação de inviabilidade técnica ou insegurança do sistema, já que hoje a urna eletrônica é individual.

O mandado de injunção —ação que visa preencher uma lacuna legal que esteja ameaçando um direito constitucional— está sob a relatoria de um ex-presidente do TSE, o ministro Marco Aurélio Mello, que já envou pedido de informações à Corte.
UOL
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Em Copenhague, 37% da população andam de bicicleta; assista

A capital dinamarquesa é a cidade mais popular da Europa entre os ciclistas. São 350 km de ciclovias em uma cidade limpa e sem ladeiras, o que faz com que 37% das pessoas em Copenhague vão de bicicleta para o trabalho, escola ou universidade. E eles têm preferência nos cruzamentos e nos semáforos.

A cidade vai ser sede da conferência da ONU sobre as mudanças climáticas, em dezembro, e quer provar para o mundo o quanto ela já é verde, além de dizer como pretende cumprir as ambiciosas metas para o futuro. Até 2015, as autoridades de Copenhague esperam que metade da população se locomova de bicicleta.

Para conseguir isso, já há uma ponte que é fechada para carros e planos para ampliar as ciclovias existentes. Também está sendo estudada a criação de um pedágio urbano para desencorajar os motoristas de carros.

A campanha conta com o apoio do príncipe da Dinamarca, que também anda de bicicleta.

“É bom para o clima, mas também para manter a forma e evitar a obesidade, um outro grave problema dos dias de hoje”, diz o príncipe Frederik.

Uma pesquisa do departamento de transportes de Copenhague indica que quanto mais pessoas andam de bicicleta, mais segura é a viagem para cada uma delas. O número de ciclistas mortos na cidade caiu pela metade na última década e a maioria dos motoristas não reclama, porque eles também têm bicicletas.

Agora, com a conferência do clima acontecendo na cidade, Copenhague espera servir de inspiração para outras capitais europeias.
Da BBC Brasil
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Câmara aprova Lei Geral das Religiões

“Logo após votar o texto do acordo entre o governo brasileiro e a Santa Sé, de interesse dos católicos, os deputados aprovaram, na noite de anteontem, o projeto batizado de Lei Geral das Religiões, de agrado dos evangélicos.

É uma cópia do acordo entre Brasil e Vaticano, apenas com substituição da expressão Igreja Católica por instituições religiosas. Ambos têm os mesmos 19 artigos. A lei geral proposta vale para todas as religiões, inclusive a católica.

O acordo com o Vaticano cria o Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil e foi motivo de polêmica com os evangélicos desde o envio ao Congresso, no fim de 2008. Seus opositores acusaram o governo de privilegiar os católicos e ferir a condição do Brasil de país laico.

Os dois textos asseguram benefícios tanto para a Igreja Católica como para qualquer outra religião, como a proteção ao patrimônio e aos locais de culto, aos símbolos, imagens e objetos culturais; assegura assistência espiritual aos fiéis internados em estabelecimentos de saúde, assistência social e educação; imunidade tributária; e garante o ensino religioso nas escolas públicas de ensino fundamental.

Único partido a votar contra os dois textos, o PSOL anunciou que irá à Justiça para anular a aprovação da Lei Geral.”
(O Globo)
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Lula: recursos já estão “carimbados”

O presidente Lula afirmou que os recursos obtidos no pré-sal serão usados em educação, ciência e tecnologia e combate à pobreza

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o modelo de exploração do petróleo na camada pré-sal terá de ser modificado e disse que os recursos serão “carimbados’’ para uso em educação, ciência e tecnologia e combate à pobreza.

“Não conheço um empresário estrangeiro que diga que as coisas devem ficar como estão. Todos eles dizem publicamente que entendem como normal que o Brasil mude as regras. Mas no Brasil sempre aparecem aqueles cidadãos de segunda classe que acham que não podemos fazer nada, mas vamos fazer porque é importante pra nós’’, afirmou.

De acordo com Lula, os recursos com a exploração do petróleo terão uso reservado. Ele não vai deixar “que o companheiro Mantega venha contingenciar (o dinheiro)’’, afirmou o presidente.

“O petróleo precisa dar duas coisas sagradas para o Brasil, precisa resolver o problema de atraso educacional e vamos ter que investir em inovação tecnológica’’, afirmou. “Temos que ter conhecimento e utilizar parte desse dinheiro para tirar o povo da pobreza’’.
As novas regras para exploração de petróleo serão apresentadas na próxima segunda-feira e devem envolver participação mínima da Petrobras nos consórcios de empresas e repasse garantido ao governo dos valores obtidos com a atividade.

Crise e impostos
O presidente também defendeu mecanismos para garantir a arrecadação tributária no País. “Vivemos o maior processo de desoneração deste País. Toda vez que o Estado desonerar tem que encontrar um jeito de pagar seus compromissos. Não é possível ter um Estado forte com arrecadação fraca. O maior exemplo é a Europa, que garante bem-estar social e tem a maior carga tributária’’.

Sobre a crise econômica global, o presidente ressaltou o arrefecimento da turbulência que atingiu mercados e economias de todo o mundo, afetando a capacidade industrial e de consumo e prejudicando empregos. “Não é que não temos mais crise. O que está acontecendo na verdade é que a água não está mais fervendo, a água está morna. O pessimismo de três meses atrás, quando não sabíamos o que ia acontecer, passou’’, arrematou. (da Folhapress)
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A crise atual é típica do Presidencialismo. Por quê?

Como se dão as alianças políticas entre Executivo e Legislativo no Parlamentarismo e no Presidencialismo:

Em um Sistema Parlamentarista, o Congresso elege o Primeiro-Ministro (Chefe do Executivo). O voto dos parlamentares a um determinado candidato já assinala a intenção de apoiar o seu Programa de Governo no decorrer do mandato. Quando por alguma razão, o Primeiro-Ministro eleito perde o apoio dos que o elegeram, ocorre uma nova eleição e assim sucessivamente. É o que poderá ocorrer em breve na Itália, onde o Primeiro-Ministro Sílvio Berlusconi está perdendo o apoio dos parlamentares católicos. E o que ocorreu na Inglaterra recentemente com Tony Blair que se desgastou após apoiar e dar suporte à invasão americana no Iraque. Nestes casos, ocorre uma nova eleição interna na qual votam os congressistas. Por maioria, escolhem um novo Primeiro-Ministro.

O Sistema Parlamentarista, aparentemente, dispensa as alianças intrapartidárias, embora elas ocorram, sim, internamente, no momento da eleição. A vantagem do sistema parlamentarista é que o processo eleitoral supõe uma garantia de governabilidade, uma base sólida de apoio ao executivo no Parlamento já que o Primeiro-ministro é eleito entre os próprios parlamentares. A desvantagem do Parlamentarismo é que não há eleição direta para o Chefe do Executivo. O povo elege os congressistas e estes escolhem o Primeiro-Ministro bem como o substituem, sempre que ocorre um rearranjo de forças, seja em função da situação interna ou externa do país, ou porque há uma renovação periódica do congresso, por exemplo, com as eleições de quatro em quatro anos.

O Sistema presidencialista possui a vantagem da eleição direta, pelo povo, para Presidente da República (Chefe do Executivo). Mas, ao ser eleito pelo povo e não pelo congresso o governo precisa construir uma “maioria parlamentar”, uma “base de governo” que lhe dê condições de “governabilidade”. Neste caso, os parlamentares do partido do presidente eleito precisam contactar os parlamentares dos demais partidos, por meio de suas lideranças partidárias e formar uma “coalizão partidária” (também denominada “base do governo”, ou “base aliada”) para aprovar cada projeto do Programa de Governo do presidente eleito ao longo de seus quatro anos de mandato.

O termo “presidencialismo de coalizão” foi utilizado, em artigo célebre, pelo cientista político Sérgio Abranches (”O presidencialismo de coalizão no Brasil”) que numa análise abrangente, usou o termo para caracterizar os governos pós-ditadura militar no Brasil.

O PMDB e os demais partidos no presidencialismo brasileiro após a Constituição de 1988:

No caso específico do Brasil, existe um partido fundamental para a construção da base de apoio para cada presidente que chega ao poder. Este partido é o PMDB. Isso pode ser melhor observado quando se analisa os últimos governos em seu conjunto: O Governo Sarney(85-89), o Governo Collor-Itamar(90-94), os dois mandatos de FHC (95-98 e 99-2002) e os dois mandatos de Lula (2003-2006 e 2007-até o presente).
O MDB, mais tarde PMDB, foi o partido que liderou as mobilizações pelo fim da Ditadura Militar e emergiu como o principal partido do país nas primeiras eleições após o fim da Ditadura Militar, em 1986.

Atualmente, a característica principal do PMDB que o torna um “partido chave” é, em primeiro lugar, o fato de ser o maior partido brasileiro. Maior número de filiados, de Vereadores, Prefeitos, Deputados, Governadores, etc. Vejamos o quadro atual no SENADO: O PSDB tem 13 senadores, o PT tem 11, sem contar Marina Silva, e o PMDB conta com 19 senadores. (Fonte: www.senado.gov.br) Na CÂMARA FEDERAL, o PMDB conta com 97 deputados, o PSDB com 57 e o PT com 78 deputados federais. (fonte:www.camara.gov.br)
Em segundo lugar, o que torna o PMDB o “fiel da balança” é o fato de que mesmo sendo o maior partido, optou nas últimas eleições por não lançar candidatura própria à Presidência da República.
A opção do PMDB em nível nacional tem sido fazer parte da base de governo do presidente que vier a se eleger. Participou da base de governo de Fernando Henrique Cardoso e, agora, da coalizão partidária que dá sustentação ao Governo Lula.
Esta recusa do PMDB em lançar candidatura própria à Presidência da República e a opção de participar da base de governo, tem, obviamente, um preço político, que pode ser a administração de alguns ministérios, a presidência da Câmara dos Deputados, a Presidência do Senado e o apoio político dos partidos da base aliada entre si, nos municípios e estados.

Na última eleição, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) obrigou os partidos a repetirem as alianças nacionais também em nível regional e local e proibiu, sob pena de cassação do registro eleitoral, que os candidatos e seus partidos fossem aliados em nível nacional e opositores em nível local e estadual, processo conhecido como “Verticalização das Coligações Eleitorais”.

As eleições de 2010 como pano de fundo da Crise atual do Senado:

A “Crise do Senado” atual, tem como foco o PMDB e a presidência do Senado e como pano de fundo uma outra disputa:
Em princípio, o PMDB não pretende lançar candidatura própria à presidência da República no ano que vem (2010). Logo, deseja compor uma Coligação Eleitoral, em nível nacional, visando eleger um Presidente de outro partido, como tem acontecido e, consequentemente, tornar-se parte da “base de governo” deste próximo Presidente no período 2011-2014.
Os dois partidos mais bem articulados, programaticamente e ideologicamente, em nível nacional e com chances de eleger o novo presidente da República são o PT e o PSDB. São, portanto, os dois partidos que podem disputar o apoio do PMDB na composição da “Coligação Eleitoral” para vencer as eleições, bem como, na “Coalizão Partidária” - agrupamento de partidos que formam a base de sustentação do Governo após a eleição.
Ao PT e ao Governo Lula, interessa manter a aliança com o PMDB em nível federal tanto para a conclusão do mandato e do Programa de Governo, como também, para o lançamento de uma candidatura forte para dar prosseguimento ao projeto atual.

O presidente Lula apresentou ao PT a pré-candidatura da Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff para a sua sucessão. Neste caso, a aliança PT-PMDB, tem como figura central a própria Dilma Rousseff e exige toda a sua capacidade em manter PT e PMDB unidos sob qualquer circunstância.
A oposição, por sua vez, liderada pelo PSDB e pelo DEM (ex-PFL)tem, atualmente, o Senador Álvaro Dias do PSDB-PR, como o maior porta-voz em nível nacional. Tem demonstrado um objetivo muito claro de desconstruir a atual aliança PT-PMDB com impacto no governo atual e no projeto sucessório. Quanto ao projeto sucessório, visualiza a possibilidade de atrair o PMDB, ou setores do partido para uma Coligação Nacional em torno da candidatura presidencial para 2010, do atual Governador de São Paulo, José Serra, ou mesmo, Aécio Neves, Governador de Minas Gerais, ambos do PSDB.

Os partidos que já possuem pré-candidaturas à eleição de 2010, o PT(Dilma Rousseff) e o PSDB(José Serra) poderão até eleger um Presidente sem o apoio do PMDB na Coligação Eleitoral, mas não conseguirão governar sem que o PMDB faça parte da “Coalizão” de partidos que dará sustentação ao novo Presidente no Congresso.
Já aconteceu, algumas vezes, de o PMDB ficar “rachado” em duas grandes forças internas: uma ala posicionada mais à esquerda, chegou a fazer críticas públicas ao apoio do PMDB ao então Governo de FHC, principalmente no segundo mandato. Outra ala, mais à direita deu apoio irrestrito ao Governo de FHC nos dois mandatos e só recentemente aderiu ao Governo Lula.
O Governo Lula foi, progressivamente, “costurando” alianças com todos os setores do PMDB e neste momento(agosto de 2009), praticamente todo o partido compõe a base aliada do governo. Com algumas exceções, como é o caso do Senador Pedro Simon, PMDB-RS que continua aliado ao PSDB em nível estadual (Governadora Yeda Crusius, PSDB-RS) e em nível nacional compõe a frente de oposição ao Governo Lula.

A oposição PSDB-DEM optou pelo caminho de investigar a fundo todos os personagens centrais da aliança PT-PMDB, particularmente a Ministra Dilma Rousseff (PT), pré-candidata às eleições de 2010 e o Presidente do Senado, José Sarney (PMDB-MA). Antes da crise envolvendo o atual presidente do senado José Sarney, ocorreu uma outra crise envolvendo o Senador Renan Calheiros, PMDB-AL, que ocupava então a Presidência do Senado no período de 2005-2007, um ano antes das eleições presidenciais de 2006 entre Lula e Alckmin. A crise do Senado se estendeu até 2007, com a renúncia de Renan Calheiros e a eleição de Sarney. O que significa dizer, que com a crise atual o presidente do Senado José Sarney poderá, igualmente, vir a renunciar ou ser destituído do cargo.

O Governo Federal e a oposição sabem que qualquer aliança com o PMDB com vistas a 2010 precisa levar em conta o posto da Presidência do Senado, que possui um papel central na aprovação ou rejeição dos projetos do Executivo. Por isso, não interessa ao Governo Federal a destituição de Sarney e uma nova eleição no Senado em fim de mandato presidencial e em período pré-eleitoral.

A oposição (PSDB-DEM) tem interesse na destituição de Sarney para que assuma o seu suplente ou que se convoque novas eleições. Com isso, estará lançado, também, o debate em torno de futuras coligações e coalizões partidárias. Caso a oposição não consiga destituir Sarney e romper a aliança PT-PMDB, as chances de “negociar” futuras alianças com o PMDB diminuirão dia-a-dia, tendo-se em vista que, até fevereiro ou março de 2010, as coligações partidárias precisam estar mais ou menos concluídas, já que os prazos do TSE, para registros de coligações e candidaturas se encerram em julho de 2010, pouco antes do início do Programa Eleitoral Gratuito.

Escrito por JSoares, professora, filósofa e sociológa política.
Postado por Jana Lua

Lina Vieira foi a SP no dia em que se encontrou com Dilma

BRASÍLIA - O Portal Contas Abertas revela que a ex-secretária da Fazenda Lina Vieira viajou a São Paulo no mesmo dia em que ocorreu o encontro com a chefe da Casa Civil, ministra Dilma Rousseff. O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que a ex-secretária esteve no Palácio em outubro do ano passado. A visita de Lina aconteceu no dia 9 de outubro (quinta-feira), com ingresso às 10h e saída às 11h29, segundo Jucá. No mesmo dia, de acordo com informações do Siafi, sistema que registra receitas e despesas da União, consta viagem de Lina Vieira a São Paulo. A ex-secretária recebeu R$ 307,18 referente a uma diária e meia na capital paulista. Com isto, Lina teria viajado para São Paulo na tarde ou noite do dia 9 e retornado a Brasília no dia seguinte.

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência havia se limitado, até então, em nota oficial divulgada na semana passada, a informar que a ex-secretária não teria ido ao Palácio em novembro e dezembro de 2008. Apenas nesta quinta-feira, quase três semanas depois da revelação pela ex-secretária do eventual encontro com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, foram apresentados registros da entrada de Lina Vieira em outubro, com o horário preciso de entrada e saída.

Ontem, Romero Jucá confirmou os termos do edital de contratação de que existiam registros de acesso armazenados por seis meses, tal como apontou matéria do Contas Abertas. Em seu discurso, o líder do governo mostrou documentos que comprovam o registro de quatro entradas da ex-secretária no Planalto: uma em outubro do ano passado e outras três entre janeiro e maio deste ano. Jucá mostrou as datas com base em anotações feitas por seguranças do Palácio. Segundo ele, ’são anotações feitas à mão ou registradas no crachá’.

O líder do governo esclareceu que Lina Vieira não recebeu crachá porque ingressou pela garagem do Palácio, onde o procedimento adotado para receber autoridades é apenas anotar os nomes.

Jucá avaliou como ‘exagero’ que Lina considerasse o mês de outubro como ‘final do ano’, já que a ex-secretária afirmou que o encontro com Dilma teria ocorrido no final de 2008.

Segundo Jucá, as câmeras do circuito interno de TV do Palácio do Planalto têm capacidade de armazenar as imagens captadas no local por apenas 30 dias. - A guarda de imagens na exigência do edital foi de 30 dias - afirmou. O edital informa, porém, que as gravações das câmeras deveriam ser armazenadas “por um período não inferior a 30 dias, devendo ainda os mesmos (gravadores digitais) ser apoiados por um sistema de backup”.

Já os registros de acesso de pessoas e veículos ao Palácio do Planalto, segundo o edital, deveriam ser guardados em um banco de dados específico, com capacidade de armazenamento por um período “mínimo de seis meses”. A partir de então, os dados deveriam ser “transferidos definitivamente para uma unidade de backup”.

Informações do Portal Contas Abertas
JB Online
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Palocci acerta candidatura ao governo de São Paulo

SÃO PAULO - O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci Filho deverá ser o candidato do PT ao governo de São Paulo em 2010, informa reportagem desta sexta-feira do jornal Folha de S. Paulo. Ele fez esse acerto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a fim de tentar ‘limpar o nome’ numa eleição majoritária para voltar a ser uma estrela de primeira grandeza.

Segundo a Folha, mesmo livre judicialmente da acusação de quebra do sigilo do caseiro Francenildo Costa, Palocci não é visto por Lula como uma alternativa no jogo presidencial. Lula acha que, politicamente, ele ainda precisa responder aos eleitores.

Lula e Palocci sabem que será difícil vencer a eleição paulista - o favoritismo é do PSDB, que comanda o Estado desde 1995. Na hipótese de derrota de Palocci e de vitória de Dilma, Lula o indicaria para ocupar a Casa Civil no futuro governo petista.

Ainda de acordo com a Folha, caso percam Dilma e Palocci, ele poderia se dedicar a consultorias econômicas e a fazer política no PT. Lula disse que uma candidatura a deputado federal o carimbaria como político com teto.
JB Online
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Empresas de telecom se preparam para Copa

Gabriel Costa, Jornal do Brasil
GUARUJÁ (SP) - O setor de telecomunicações brasileiro, que já representa pelo menos 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, caminha para novos modelos de governança e abrangência com um diferencial raro nos processos de evolução setoriais no Brasil: data marcada.

Até a Copa do Mundo de 2014, segundo especialistas, empresários e autoridades presentes no 53º Painel Telebrasil, realizado ontem no Guarujá, em São Paulo, é fundamental que o país apresente uma impressionante estrutura de comunicação, em especial internet de banda larga, nas 12 cidades sede.

- Serão 3,3 bilhões de telespectadores, 200 milhões de brasileiros que usarão redes de telecom no período, 1 milhão de turistas estrangeiros que estarão em comunicação intensa com milhões de familiares e amigos no exterior – disse o diretor de Inovação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Eduardo Costa. – Precisamos de uma infraestrutura igual ou melhor à que esses indivíduos encontram em seus países de origem.

De acordo com o diretor de Serviços e Universalização do Ministério das Comunicações, Átila Augusto Souto, que representou no evento o ministro Hélio Costa, o governo deve lançar até outubro o Projeto Nacional de Banda Larga.

- A ideia é massificar o uso da banda larga entre as classes C, D e E – disse Souto.

O coordenador do programa de inclusão digital da Presidência da República, Cezar Alvarez, informou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende formar uma mesa permanente sobre o assunto, com participação dos ministérios competentes.

Reivindicações

A desoneraçãodo setor de telecomunicações foi uma das principais questões levantadas no evento. Segundo especialistas, a incidência de tributos sobre as empresas do do segmento chega a quase 43%.

Germano Rigotto, ex-governador do Rio Grande do Sul que hoje integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do governo, destacou que o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) sobre o setor representa em média 12% da arrecadação das unidades da federação. Segundo Rigotto, que relatou a proposta de reforma tributária no Congresso no governo FHC, o desafio é abordar a questão no nível estadual, e buscar uma uniformidade de alíquotas.

Já o presidente da Claro, João Cox, argumentou, em nome da Telebrasil, de cuja diretoria também faz parte, que, além da redução dos tributos, é preciso estimular o uso adequado do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) e dos valores do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel).

A diretoria da Telebrasil, que congrega mais de 100 empresas prestadoras de serviços de telecomunicações fixas e móveis e fornecedores de soluções e sistemas tecnológicos e de equipamentos.
Postado por Jana Lua