Os limites do barulho-Marina

Por Rodrigo de Almeida

A possível candidatura da senadora Marina Silva (PV) à Presidência da República emite um forte cheiro de novidade, reaquece o debate pré-eleitoral, anima personagens esmorecidos, estimula certo pretendente a sair da toca e, por fim, tem potencial para estremecer o governo e sua candidata Dilma Rousseff (PT). O Palácio do Planalto sabe que acende a luz amarela do campo governista. Um exemplo: pesquisa coordenada pelo cientista político Antonio Lavareda, no confronto direto entre Marina e Dilma, em quatro cenários, a senadora perde em um, empata em outro e ganha em dois.

Novidade, todos gostam, mas convém ter prudência. Há muita torcida e pouca consistência na ideia de que o “fator Marina” termine por “implodir” a candidatura da ministra Dilma Rousseff (PT), como chegou a afirmar esta semana o também pré-candidato Ciro Gomes (PSB). Se desembarcar do PT e mudar-se para o PV, se decidir mesmo virar candidata, se, enfim, vingar como nome para 2010, a senadora poderá fazer algum barulho. Mas por ora não passa disto: um barulho.

Experimentado observador do impacto do atual governo sobre o eleitorado, o cientista político Candido Mendes, reitor da universidade que leva o seu nome, mostra-se ainda menos condescendente com a novidade. O professor acha que há uma superestimação do nome de Marina e do efeito de uma eventual candidatura na sucessão do presidente Lula – sobre quem, aliás, publicou nada menos do que seis livros, dois dos quais na França. “Estão superestimando-a, como há uma superestimação da mensagem ecológica”, diz Candido Mendes. “Não creio que a candidatura tenha condições de implodir coisa alguma”.

O cientista político reconhece, no entanto, que a candidatura da senadora será o “teste final” para as “condições morais” do presidente Lula de pretender continuar o legado do seu governo. Reconhece ainda certa carga simbólica posta sobre os ombros de Marina. Por exemplo, a senadora é uma mulher aguerrida, como Dilma, exibe um prontuário político de considerável apelo popular, seu discurso pode ganhar eco entre insatisfeitos com o pragmatismo lulista e acende uma bandeira emergente no cenário internacional, a sustentabilidade. Mas, segundo o professor, não vai muito além. Sua maior fragilidade, diz, é temática.

“A mensagem ambiental é inoportuna e ultrapassada. Marina levanta prioridades muito discutíveis do que seja uma política de desenvolvimento”, defende. Ele se refere, no caso, à falsa dicotomia, infelizmente não resolvida no país, entre desenvolvimento e sustentabilidade. “Sua passagem no Ministério do Meio Ambiente não capturou as prioridades de uma nova forma de desenvolvimento: a visão de uma Amazônia produtiva, a eficácia no licenciamento de obras relevantes, a atenção necessária do país para a geração de emprego, ampliação da renda e correção das injustiças sociais. Foi ultrapassada inclusive pelo realismo responsável da política de Carlos Minc (sucessor de Marina no ministério)”.

Segundo Candido Mendes, o discurso ambiental – nos moldes de Marina Silva, ressalte-se – atrasou o desenvolvimento brasileiro. O risco do PV, afirma, é tornar-se uma alternativa tão radical quanto virou, em outra esfera, o PSOL. Diz mais: “A superestimação da ecologia é fruto da subcultura do Brasil”.

Tanto o PV quanto Marina, no entanto, parecem conscientes desse risco. Há dois dias, a senadora e o deputado Fernando Gabeira, principal nome do partido, almoçaram juntos em Brasília e começaram a traçar uma estratégia de campanha para 2010. Do encontro, Gabeira saiu otimista. E sublinhou: “A nossa potencial campanha não será monotemática. Precisamos dar respostas também para os outros problemas do Brasil”. Ambos trazem à memória talvez o que foi Cristovam Buarque (PDT) em 2006: o candidato da educação. Discurso bonito, mas pouco empolgante.

Não está escrito nas estrelas, porém, que a novidade em curso se resumirá indefinidamente a uma desarrumação momentânea. Não à toa, a possibilidade preocupa o PT e o Palácio do Planalto. O melhor dos mundos, na visão do governo, é uma disputa plebiscitária – um confronto entre Dilma e José Serra. Segundo tal premissa, é quando se tornam mais profícuos os embates entre o que foram os oito anos tucanos e os oito anos petistas. No fim das contas, o “fator Marina” é música para os ouvidos da oposição e para Ciro, até poucos dias atrás pressionado a abandonar o sonho de disputar novamente a Presidência.

Como sempre, os eleitores dirão que prognósticos se confirmarão.
Coisas de Política
Por Rodrigo de Almeida
Postado por Jana Lua

10 respostas em “Os limites do barulho-Marina”

  1. O Ciro anda perdido mesmo. Fazer uma colocação dessa é tá louco de vez ou quer chamar atenção. Ele devia se candidatar aqui em São paulo para ver nossa resposta ns URNAS. Paulista não é bobo.

  2. gilmario disse:

    MARINA NÃO TEM CHANCE ALGUMA. é TÃO SOMENTE PARA DESARTICULAR O GOVERNO . È UMA VINGANÇA PQ NÃO FOI ACEITO O QUEELA PRETENDIA DENTO DO MINSITÉRIO QUE ELA OCUPOU. NÃO ENTENDIA DIRETAM,ENTE DO ASSUNTO. PEGOU-SE A HISTÓRIA DA AMAZONIA ,MAS SEM CONHECER O APROFUNDAMENTO.

  3. SAMUEL disse:

    A política invade nossas vidas sem pedir licença. Pra todo lado existe um comentário, uma piada, a história do senado e agora parece essa da marina p chamar atenção. Vão arrumar alguma coisa p fazer, ocupara a mente. GABEIRA , não sonhe tão alto, pq até os tucanos que voam não tem atingido o limite. A estrela está além, mto além!

  4. carla sales disse:

    Pára com isso!!!
    Devo ter tido um pesadelo.
    A Marina candidata a presidente do Brasil?
    Gente, o barco afundou de vez. Incompetencia em pessoa.

  5. DORIS FONSECA disse:

    EXCELENTE ANÁLISE.
    QUEM ESCREVEU ESSA MATÉRIA SABE USAR BEM NOSSAS LETRAS.

  6. PAULO SILVA disse:

    Vergonha nacional.
    Não tem um candidato para tça cargo. Estamos fartos de políticos, dessa palhaçada.

  7. Marisa disse:

    A pluralidade faz o brasileiro refletir mais e melhor e então dar uma resposta nas urnas, votando consciente. Que apareçam nomes, mas que sejam comprometidos com o povo brasileiro e este Brasil.

  8. Semy Ferraz disse:

    Discordo do Prof. Candido Mendes. Marina Silva não é Heloisa Helena e também não é candidata de uma nota só. Marina apresenta uma nova maneira de fazer politica, sem conchavos e corrupções, baseado em principios éticos. É um erro ignorarmos e substimarmos a candidatura da Senadora Marina Silva!

  9. Robson Matos disse:

    Nossa tanta eloquencia para falar mal de Marina.
    ele deve ser forte mesmo.
    Sabem muito bem que a discussão de meio ambiente, não acaba em si, esta por tras a qualidade de vida, melhoria para a maioria da população e é ligada totalmente a fatores economicos e sociais.
    Mente quem camufla isso. Mas imaginar que Marina Silva, uma verdadeira brasileira que conhece toda a luta de um povo sofrido, vai só se preocupar com os passarinhos é substimar a história de uma vida!
    Ou fazer um esforço nem digo de má fé, mas de desespero para provar que ela não serve pra nada e sua trajetória era boa, mas só quando esteve no PT.
    Eu mesmo achava isso até pouco tempo atrás (que eu era melhor porque era do PT), antes de entrada de pessoas de outros partidos para comandar este que ajudei a construir.
    Vamos com ética medir as palavras contra uma companheira valoroza que sempre estará no coração dos que no PT ficam (pelo menos daqueles que junto desde início construiram esta história).
    Marina Presidente, isso é urgente!

  10. José Luiz disse:

    Marina é tal e qual Heloisa Helena: Ressentidas, melindradas. Tenham ou não competência “naquilo que se propuseram até agora”, não são páreo para Dilma Roussef. Dilma significa muito mais para a Nação. Como já disse um experiente político paulista, Marina precisa começar lá de baixo, ter experiencia no governo municipal, estadual, etc… agora, se ela fosse “auto-didata em política” ou tivesse a sapiência do Lula, aí sim. Mas não tem.

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