RIO - Os Brics, acrônimo criado pelo economista do Goldman Sachs, Jim O´Neill, para designar o grupo de países composto por Brasil, Rússia, Índia e China, são considerados os expoentes dos países em desenvolvimento. A razão disso está no porte dessas quatro nações.
Com população em torno de 2,8 bilhões de habitantes (45% da população mundial), PIB por volta de US$ 8 trilhões (13% do PIB mundial) e uma área de 38 milhões de km² (25% da área do planeta), os Brics já têm peso significativo no quadro econômico mundial. No entanto, conforme projeção de O’Neill, é o ritmo de crescimento econômico desses países que deve ser levado em conta. Tal projeção indica que, em 2050, eles, em bloco, terão PIB superior ao dos Estados Unidos, da União Européia e, inclusive, do G6 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália).
Muitos, porém, não acreditam que estes países venham a formar um bloco econômico coeso. As diferenças entre eles são imensas. A China ainda vive sob sistema político ditatorial e a Rússia, embora permita a disputa eleitoral, está longe de ser considerada uma democracia.
A Índia, embora democrática, tem grandes problemas de disputa territorial com vizinhos e contínua tensão entre os grupos étnicos que formam sua população. Dos quatro países, podemos dizer que o Brasil é o mais avançado institucionalmente. Temos um sistema democrático moderno e consolidado, e não enfrentamos problemas com vizinhos e temos grande harmonia linguística, cultural e étnica.
No entanto, os quatro países não conseguiram firmar nenhum documento importante, a não ser a própria vontade de realizar reuniões periódicas. A disposição do governo brasileiro de substituir o dólar, moeda utilizada nas transações comerciais entre os membros do Bric, pelas moedas locais, ainda não encontrou ressonância. Os altos valores das reservas em dólares dos países (cerca de US$ 2,8 trilhões) e a forte dependência das exportações para o mercado americano tornam difícil usar outra moeda no sistema de trocas e de reserva de valor.
Embora haja poucas chances de viabilizar o Bric como bloco econômico no jogo dos interesses mundiais, a simples existência desta possibilidade coloca os quatro países membros como importantes atores no cenário internacional.
É certo que a governança mundial sofrerá importantes mudanças após o término da atual crise financeira internacional. Além da inclusão dos principais países emergentes, a pauta das decisões deve contemplar as questões do aquecimento global e do redesenho dos principais organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas, a Organização Mundial do Comércio e o FMI.
O fato é que, com ou sem consolidação do Bric, o Brasil passa a ter maior importância nas decisões mundiais e tem condições de assumir um papel muito mais ativo no cenário mundial. Mas isso dependerá da sua disponibilidade de investimento nos próximos anos, além da viabilização de inovações focadas em ciência e tecnologia.
Alcides Domingues Leite Junior é professor de economia da Trevisan Escola de Negócios
Jornal do Brasil
Postado poe Jana Lua

Categoria 


Ao longo da história da humanidade vemos que os impérios se modificaram. Vista hoje como difícil dadas as diferenças expostas, vale lembrar que a eternidade não é desde mundo. Nenhuma potência será eterna.
Tudo passa, tudo sempre passará, diz uma canção. Os EUA já vivenciam um momento de crise; a URSS não existe mais nem o muro de Berlim. Nada é definitivo. Outras potências hão de surgir.