SÃO PAULO - A menos de um mês para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em dezembro, em Copenhague (Dinamarca), o aquecimento global e a redução de emissões de gases poluentes na atmosfera entraram na pauta das indústrias químicas. Nesta quinta-feira, a Associação Brasíleira da Indústria Química (Abiquim) divulgou documento que pretende enviar ao governo federal para ser levado à reunião em Copenhague, no qual se compromete a disponibilizar para a sociedade um inventário das emissões de gases estufa das indústrias químicas associadas.
De acordo com o presidente da associação, Nelson Reis, o evento da ONU não é o único objetivo do documento: “Queremos mostrar a nossa posição para a sociedade.”
Segundo Reis, não há ranking para medir que tipo de indústria polui mais.
- A indústria, em geral, é responsável por 8% das emissões. Estimamos que a indústria química emita aproximadamente 2% deste total, mas é impossível precisar quem polui mais ou quem polui menos pois os estudos sobre o tema são inexistentes - afirmou.
No documento, a Abiquim - que agrega 85% das indústrias químicas do país - alerta para a importância do desenvolvimento de novas tecnologias cujo objetivo seja reduzir e até reverter o crescimento das emissões de gases de efeito estufa. ]
- Acreditamos que esta não deva ser uma obrigação brasileira e, sim, de todos os países, que exista a cooperação global - explicou o gerente de assuntos técnicos regulatórios da Abiquim, Marcelo Kos.
- O Banco Mundial poderia fomentar estas novas tecnologias, criando uma linha de crédito especial para todos aqueles que queiram desenvolvê-las - ressaltou.
Ainda segundo o texto, as empresas associadas conseguiram reduzir as emissões de poluentes em 32% entre os anos de 2003 a 2008.
- É difícil propormos uma meta pois já reduzimos muito. Mas se conseguirmos que as emissões diminuam em 5% nos próximos dez anos já é muito bom - informou Kos.
A iniciativa é mais uma demonstração da postura de liderança que o Brasil vem adotando na batalha pelo clima. Com uma ambiciosa meta de reduzir a emissão de CO2 em até 38,9% até 2020, o Brasil é um dos países na briga por um acordo durante a conferência de Copenhague, que ocorre no dia 7 de dezembro. No entanto, ao mesmo tempo em que o país fala sobre uma solução imedianta, os países desenvolvidos - especificamente os Estados Unidos e a China - falam no adiamento do pacto climático.
O ministro do meio ambiente, Carlos Minc, já realizou críticas contundentes à posição dos dois países, chamando a atitude de não ratificar um acordo de “insensatez planetária”, e declarando que representou “uma ducha de água quente, que aumentou mais ainda a já elevada temperatura do planeta.”
Ivy Farias, Agência Brasil
Postado por Jana Lua

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